terça-feira, 14 de abril de 2015

"A IGREJA 'TOMOU' O PAPAI DE MIM!"



Uma reflexão sobre a tríplice missão do leigo na família, Igreja e sociedade.


Outro dia, enquanto me arrumava para um compromisso na igreja, fui abordado por minha filha que me interrogou: “– Papai, você vai sair de novo?”. E quando eu ia responder, ela mesma sentenciou com a resposta: “- Já sei... nem precisa dizer, você vai pra igreja né?”. Tenho uma filha de 06 e um filho de 04 anos, e apesar do tom meio moleque daquela indagação de menina eu vi que havia um pouco de verdade em sua reivindicação e logo tratei de me esquivar da situação para tentar amenizar o impasse, e olha que pessoalmente me preocupo muito com isso, tento me organizar o máximo possível para não deixar que meus compromissos sociais, profissionais e eclesiais impactem em minha relação dentro de casa, em meu sagrado tempo para com os meus filhos e a esposa, mas essa pequena me fez refletir um pouco mais no papel do leigo na igreja, família e na sociedade. É sobre isso que vamos discorrer nesse texto.

O atual papa emérito Bento XVI em seu discurso por ocasião do V Encontro Mundial das Famílias em 08 de Junho de 2006 na cidade de Valência na Espanha, iniciou dizendo que “a família é o ambiente privilegiado, onde cada pessoa aprende a dar e receber amor” e essa estrutura não deve ser substituído por outros elementos que não seja o pai, a mãe e os filhos, é nesse ambiente que a criança recebe todo o amor que o influenciará por toda a sua trajetória de vida.

Infelizmente nos dias de hoje é normal se vê que os pais terceirizam a educação na fé de seus filhos e colocam inteiramente aos encargos do catequista e da catequista, quando na verdade, a fé deve ser transmitida no berço e o papel do catequista deveria ser apenas um suporte nesse processo e nunca o substituto do que faltou dos pais. Devemos pensar que uma boa educação na fé, promove não somente novos membros para a igreja no futuro, mas indivíduos com suas vidas conformadas ao evangelho para uma sociedade tão carente de bons exemplos como a nossa. Quanto a isso, o papa disse no mesmo discurso, “A família é uma instituição de mediação entre o indivíduo e a sociedade, e nada pode substituir totalmente.”.

Queira Deus que os filhos contemplem mais os momentos de harmonia e afeto dos pais e não os de discórdia e distanciamento, pois o amor entre o pai e a mãe oferece aos filhos uma grande segurança e ensina-lhes a beleza do amor fiel e duradouro. (V ENCONTRO MUNDIAL DAS FAMÍLIAS, 08 de Junho de 2006. pag. 13).

No discurso do sumo pontífice fica bem claro que a família é esse celeiro onde deve brotar a espiritualidade para que os filhos se inspirem cada vez mais a partir da profissão de fé dos pais e assim por diante, e ele chama a atenção para os empecilhos internos que ameaçam essa harmonia familiar. Se é verdade o que se afirmou, muito mais o é de se afirmar que o exercício pastoral e a colaboração na comunidade eclesial como leigo não pode nunca afastar o pai ou a mãe de sua missão principal que é a transmissão da fé no âmbito familiar, sobretudo para os filhos. Essa preocupação deve ser levada em consideração ainda mais quando os filhos são menores, na primeira infância, e ainda não têm maturidade o suficiente para entender que a ausência dos pais naquele momento é para o bem de um terceiro ou da comunidade, isso pode gerar certo sentimento de aversão à participação e integração numa comunidade de igreja no futuro, pois estará escrito em seu repertório mental que igreja é essa “coisa” que afasta pais de seus filhos.

No livro de Provérbios, o autor sagrado nos adverte: “Ensina à criança o caminho que ela deve seguir; mesmo quando envelhecer, dele não se há de afastar.” (Pr. 22,6). Para finalizar nossa reflexão, faço lembrança do testemunho de São João Paulo II, esse que fora amplamente citado no referido discurso de seu sucessor Bento XVI. Conta-se que ele se decidiu pela vida consagrada, e sucessivamente a ir para o seminário quando, iniciando os primeiros anos da adolescência, flagrou numa noite de insônia, e sem querer viu seu pai de joelhos no chão em oração, naquela madrugada decidiu que seria padre. Outro exemplo belo é daquele jovem médico, que se viu num intrépido chamado a vocação de cuidar da vida ao lembrar dos afagos da mãe quando lhe era acometido de uma pequena gripe, com este se faz menção aos inúmeros de bons profissionais no mundo e na sociedade inspirados pelos bons exemplos e momentos passados junto dos pais.
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