quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

CASO VINÍCIUS ROMÃO E O PREÇO DA LIBERDADE POR R$ 2,75



 ARTIGO DE OPINIÃO:

Claudio Roberto da Silva, graduado em Letras e especializado em Gestão Pública em Política de Gêneros e Étno/Raciais 

Dizia o rapper Gabriel o pensador “o racismo é burrice, mas o mais burro é quem pensa que racismo não existe”. Foi a frase que me veio à memoria ao ver a velha mídia sublinhar a  noticia de “um ator preso injustamente...” e simplesmente ignorar que no mínimo há implícito um problema racial na questão que merece ser também discutido.

Ator solto após engano diz que perdoa mulher que o acusouEm nossa pátria é de praxe ouvir logo após uma piada, dessas sem graça e de muito mau gosto, diga-se de passagem, a afirmativa “eu não sou racista!” ou então “olha é só uma piadinha, eu também sou negro, veja a cor da minha pele!”. O problema é que muitas vezes essas anedotas escondem uma realidade muito triste que tem feito vítimas desde os tempos do Brasil colônia. São questões sem respostas que adentram séculos e mais séculos de nossa história, e é isso que faz a piada perder a graça até mesmo antes de ser contada. 

Mas a pergunta é a seguinte, e eu vou entender se você, caro leitor, não souber responde-la: “Por que ainda é tão forte o preconceito contra negros no Braisl?” “Por que em pleno século XXI ainda têm negros por aí sendo confundido com bandidos, ora sendo questionado pela polícia só pelo fato de ser negro ou de usar o cabelo estilo Black Power e etc tal?”

Me perdoem a franqueza, não é de costume usar desse tipo de abordagem em meus textos, mas cá entre nós, será que em nenhum momento passou pela cabeça do policial que aquele jovem poderia não ser o autor do crime? Qual fora o critério usado para ir logo chaveando as algemas? Será que a polícia esta preparada para enfrentar situações confusas para que outros inocentes não sejam outras vítimas? A sentença fora dada sem levar nada em consideração além do depoimento da copeira que muito nervosa e assustada afirmara que o cabelo dele era o mesmo do ladrão que levara seus pertences.

Mas como dizia uma filósofa por aí “cada um no seu quadrado”, eu sou um escritor/blogueiro, minha competência é a literatura, políticas publicas e um pouco de teologia e filosofia cristã, e sinceramente não tenho conteúdo teórico para discutir o Direito Civíl, mas acima de tudo sou um cidadão e tenho o direito de expressão e de questionar, e é por isso que o faço, porem a motivação maior para eu escrever esse artigo e postá-lo aqui, fora a justificativa da copeira que afirmara que instante depois do seu depoimento já não tinha mais certezas se realmente era Vinícius Romão de fato o delinquente que a roubara. 

Ela disse em sua declaração que ficou com dúvidas, mas não tinha o dinheiro (R$ 2,75) para pagar passagem e ir à delegacia para retirar a queixa. Essa declaração deixou muitas mentes embaraçadas. O economista Rodrigo Constantino, por exemplo, poderia filosofar com os seus números “quanto realmente vale R$2,75?”. Os humanistas (dos direitos humanos) ficaram em dúvidas se teriam pena do prisioneiro injustiçado que estava privado de seu direito à liberdade, ou se teria pena da pobre senhora que não tinha R$ 2,75 da passagem e não pôde ir à delegacia.

Cabe aqui um singela homenagem à capacidade de perdoar que o jovem ensinou diante das câmaras, com a atitude de abraça-la depois de tudo, virtude essa que é a mais nobre de todas as virtudes, mas o fato é que se passaram 16 dias... eu nunca fiquei preso, mas posso afirmar que esses 16 dias e 15 noites foram lhe muito caro...
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