quarta-feira, 7 de agosto de 2013

SECULARISMO: O BURACO COLETIVO DA ALMA EM EDITH STEIN



Em suma, podemos dizer que o secularismo religioso moderno é a tentativa de tirar “Deus” da vida publica e deposita-lo na vida privada, essa tentativa muitas vezes se esconde por trás de calorosos discursos humanistas e democráticos (politicamente corretos) de muitos políticos, religiosos e midiáticos. Deus pode ser uma experiência boa e construtiva para um grupo de indivíduos, porem seria “desumano” querer que “o resto dos seres humanos” tenham a mesma experiência e a considere igualmente pertinente. Esse “resto dos seres humanos”, em posse do direito de se abster da necessidade da experiência religiosa sem se constranger, também são livres para tecer pensamentos e opiniões contrárias aos outros se valendo de outro novíssimo direito que é a liberdade de opinião e de crença.


Mas para onde caminha a humanidade ao retirar “Deus” e tentar caminhar com as próprias pernas? Deus seria um incomodo para o desenvolvimento dos homens? Ao pensar nas respostas desse questionário é inevitável não prever a nossa completa perdição, visto que não poucas vezes os autores sagrados disseram que Deus é a luz dos homens e o farol que o ilumina. “Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.” Jo. 1, 4-5. Deus é vida e a vida estava nEle e a vida é a luz dos homens, logo Deus é a luz e a luz está em si, e o que diferencia as trevas da noite com o clarão do dia é a presença do sol. Se tirarmos o sol a escuridão prevalece. Se tirarmos “Deus” da experiência humana lhe resta a escuridão, e todos sabem o que acontece com aquele que caminha sem enxergar a luz, tragicamente desfalecerá em um buraco profundo e escuro.


Papa Bento XVI, atual papa emérito foi um incansável defensor da Igreja no que tange a esses perigos do secularismo. Em seus discursos e encíclicas o papa teólogo não se cansava de inspirar a Igreja a ser testemunha de Cristo no mundo sem ofender os direitos do outro e das outras religiões, mas também sem deixar de ser presença profética no mundo. Em uma de suas últimas homilias ainda como papa, o pontífice citou a filósofa que virou santa, Edith Stain, para convidar os fieis leigos a desenterrar Deus. A expressão era parte de um fragmento das meditações da santa que afirmava que o nosso distanciamento de Deus constrói uma espécie de buraco em nossa alma e Deus se coloca nesse buraco no mais intimo de nosso ser. Ao constatar isso a santa nos convida a desenterrar Deus que fora sepultado dentro de nós.


"Um poço muito profundo está em mim. E Deus está naquele poço. A cada vez que tento juntar-me a ele, mais a pedra e a areia o cobrem: agora, Deus está sepultado. É preciso de novo desenterrá-lo".


O papa Ratzinger ainda ressalta que a outra parte desse secularismo perigoso seria o fato de que Deus estaria também oculto pelos que O instrumentalizam para seus próprios fins, dando mais importância ao sucesso, aos bens materiais e a sua própria vida. "Desse modo, Deus se torna secundário, se reduz a um meio, se torna definitivamente irreal." Desenterremos Deus-luz e o coloquemos no candeeiro de nossas vidas para que sejamos por ele iluminados e escapemos das crateras do ateísmo.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...