sexta-feira, 26 de julho de 2013

PAPA FRANCISCO E A NOVA PRIMAVERA DE LEONARDO BOFF



papa francisco ateusPapa Francisco seria uma espécie de primavera da Igreja segundo um artigo escrito pelo teólogo Leonardo Boff e publicado no site do Estadão. O autor discorre sobre o fenômeno de popularidade e aceitação do novo pontífice, essa primavera significaria uma nova esperança e entusiasmo dos fieis católicos com as atitudes, quebras de protocolos e discursos de Francisco em seus primeiros meses de pontificado. De fato, é notório o renovar das esperanças, os holofotes se voltaram para a Igreja  com a as intervenções de Francisco, mas qual seria a expectativa de Boff para um bom pontificado? Qual seria suas perspectivas? Como escritor, Boff percorre tranquilamente entre o universo do discurso teológico-filosófico ao universo estético-literário, mas tenho minhas dúvidas quanto ao seu posicionamento teológico quanto ao catolicismo ideal, no referido texto especificamente, também não concordo com suas análises dos três últimos pontificados.
Não há que se negar que Francisco tem sido uma esperança de novos tempos para a Igreja. Gostei muito da análise do filósofo Mario Sergio Cortela, ao comentar a escolha do nome Francisco do novo papa, fez uma referencia ao sermão de Padre Antonio Vieira que contemplava uma igreja mais "pastorial" (sic) e menos palacial, que transpassasse os muros da cátedra e pisasse o chão sofrido do povo, sobretudo do pobre. Vieira em sua Beatitude vida deve regozijar com o recente pontífice que tem surpreendido o mundo com a sua teologia de proximidade, de fato é uma primavera para a Igreja, mas daí concluir que os papados de Bento XVI e João Paulo II foi o inverno glacial da Igreja de Roma é uma prerrogativa por demais apelativa, pra não dizer contraditória.
A teologia de Bento XVI foi e ainda é de suma importância para os desafios dos nossos tempos, seu convite ao mergulho na doutrina católica e o revigorar das atenções para o Concilio Vaticano II, talvez seja o forte apelo profético da Igreja de Roma à uma sociedade fortemente influenciada pelo relativismo prático. É fato que Ratzinger é mais teólogo que papa, mas considero necessário esse apelo a um verdadeiro aprofundamento no conhecimento da Igreja para melhor amá-la, e se podemos conhecê-la um pouco mais através de sua estrutura doutrinal, da ortodoxia e de sua extensa biblioteca no sagrado magistério, Bento XVI fez bem o seu papel de pastor.
Aparentemente Bento e Francisco são distintos, e a última encíclica, escrita por esses dois papas é prova disso, a quem diga que esse seja o documento à duas penas de dois papas "divergentes", mas como estudioso da teologia pastoral, presumo que um não seja igual, melhor ou pior que o outro e sim uma continuidade concreta e necessária. A centralidade de Bento XVI, que fora interpretado pelo articulista como fechamento eclesial, consigo enxergar aí um profundo resgate à autoestima católica e o autoconhecimento eclesial, ovelha que se reconhece ovelha, enquanto Francisco é o pastor que dela se aproxima para tratá-la e cuidá-la paternalmente.

Louvado seja a divina providencia que nos possibilitou vivenciar a sua pedagogia através dos três últimos pontífices: João (de Deus), Bento (o abençoado) e Francisco (aquele que vai ao “pobre”).

Link do texto analisado:
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades%2cpapa-francisco-traz-uma-nova-primavera-da-igreja%2c1056220%2c0.htm
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