sábado, 29 de junho de 2013

A MÍSTICA DA SEGUNDA FEIRA



No enredo da criação contida nos trinta e um versículos do primeiro capítulo de Gêneses há uma curiosidade incrível que pode nos interessar sobre a mística que gira em torno do segundo dia da semana de acordo com os povos judeus. Porque será que a segunda feira é um dia tão pesado e difícil? Seria por ser o primeiro dia útil depois de dois dias de folga? Não deveríamos estar descansados ao invés de desanimados e “reclamões” (sic) durante o percurso desse dia? Talvez haja mais mistérios do que possa especular nossa vã filosofia, vejamos o que podemos aprender a esse respeito dentro da cultura bíblico-judaica.
 
Na tradição milenar Judaica, qual derivou a fé cristã, está repleta de símbolos, imagens e sinais, uma riqueza que muitos deles herdamos para a estrutura litúrgica do cristianismo, é claro também que pouco se aproveita dos exageros que é de praxe dentro dos costumes dos judeus, exemplo disso é a numerologia dentro da Torá, ou seja, o Pentateuco cristão, os cinco primeiros livros da nossa bíblia. Em Gêneses 1, 3; Deus cria a luz a partir da força geradora de sua palavra “Fiat Lux”, ao cria-la Ele viu que a luz era boa e esse foi o primeiro dia da semana. No segundo dia, Deus criou o firmamento para separar as aguas e o chamou de céu, esse relato permeia os versículos seis ao oito desse primeiro capitulo, o texto finaliza dizendo “foi o segundo dia”, mas não contem a sentença “Deus viu que era bom”, essa expressão só não se faz presente no relato desse segundo dia da criação, contém no primeiro, no terceiro, quarto, quinto e sexto dia, no sétimo dia Deus descansou viu que era muito bom e ainda abençoou o sétimo dia como o dia de descanso.

Para a hermenêutica judaica a ausência da sentença “Deus viu que era bom” e “E o abençoou” para o segundo dia significa que, além desse dia não possuir nada de relevante que o torne bom como os outros dias, sobretudo o sétimo dia, é um dia sem a benção de Deus, sem a sua proteção. E essa visão transcende da hermenêutica para a vida comum, o judeu acredita que nesse dia é preciso vigiar mais que os outros dias, se no shabat Deus estava plenamente presente, na segunda estariam à mercê da desproteção de Deus e com isso maleáveis aos perigos. Devido a esse fato, na história, percebe-se que em vários momentos os povos Islã, por conhecer também essa simbologia contida na Torá, atacaram por várias vezes os judeus justamente na segunda feira, por entender que estavam sem a proteção de Deus neste dia, com isso seriam facilmente vencidos.

É claro que no cristianismo, a partir da morte e ressurreição de nosso Senhor, algumas expressões ganham significados maiores, não posso negar que por outro lado, algumas expressões significativas, por algum descuido histórico perderam o seu valor, que não é este o caso, no cristianismo não se guarda mais o sábado como o dia de descanso, mas o Domingo por ser o dia do Senhor, na conotação cristã, por sua morte e ressurreição Jesus dá nova vida e sentido aos nossos dias, alicerçado nessa verdade, podemos dizer todas as manhãs, (inclusive na segunda feira) como o salmista “Hoje é o dia em que o Senhor fez para nós, alegremos e nEle exultemos!” Salmo 118,24. Não há dias "maus" para aquele que está em Cristo.

Boa segunda a todos!
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