quarta-feira, 29 de maio de 2013

CINQUENTA TONS DE CINZA E A REVOLUÇÃO SEXUAL FEMINISTA



Antes de ler esse artigo, aconselho aos meus leitores que também são pais de família a proibirem seus filhos menores de ler este aparentemente inocente livro Cinquenta tons de cinza da autora E. L James.

DivulgaçãoDesde os meus tempos de faculdade, guardo um divertido costume que carinhosamente o chamo de recreio cerebral (as vezes por causa disso entro em algumas enrascadas!). Trata-se de um intervalo de leituras que sempre faço quando termino de ler os prediletos de minha estante, bem como as indicações dos textos, artigos e livros teóricos de meus professores e esses últimos, quase sempre enfadonhos, diga-se de passagem. No topo da lista de minha predileção estão os livros de filosofia, teologia, linguística e teoria literária, sem contar é claro os livros espirituais, esses que não costumo dar intervalos, os tenho sempre comigo.

Num desses recreios, quando me preparava para escolher algum livro que não me forçasse tanto a pensar, me saltou aos olhos o livro de estreia da escritora E. L. James, o primeiro da trilogia de Cinquenta tons de cinza. Ao ler o tema me lembrei vagamente que alguém havia comentado que o livro caiu repentinamente no gosto das mulheres e era um dos best-seller’s nas diversas livrarias por aqueles dias. E de fato era, só se falava em Cinquenta tons de cinza, além disso também me aguçou a curiosidade em lê-lo pelo titulo da obra me soar meio poético (me enganei redondamente!), apesar de claramente se tratar de uma literatura de panfletagem.


O enredo basicamente gira em torno das experiências sexuais e sensuais de Ana Steele, uma jovem universitária com o anti-herói bilionário Christian Grey que se revelara um tremendo cafajeste apreciador do sado masoquismo. Segundo um importante jornal norte-americano a obra de James é daquelas escritas grudentas, que é difícil de largar quando se começa a ler, prende a atenção do inicio ao fim. Como crítico literário eu tenho minhas ressalvas gravíssimas quanto a essa opinião, o livro não tem uma história, além de conter fragmentos desconexos que ninguém explica o porquê de está ali, devo dizer que prende sim a atenção, pelo seu alto teor de erotismo e não pela qualidade da escrita e muito menos pelo conteúdo. E aqui está a minha preocupação maior, o livro se tornou fenômeno entre os adolescentes, da mesma forma que Crepúsculo, crianças de 12 e 13 anos estão comprando e lendo esse livro, com o aval dos pais que não sabem do que se trata. Em alguns momentos me envergonhei de está lendo, e jamais, em sã consciência, deixaria minha irmã, ou filha de 18 anos lê-lo. Além dessa característica agressiva de apelo erótico, a autora deforma a imagem da própria mulher-personagem que passa a se relacionar com um maníaco sexual e assina um contrato garantindo poder a ele sobre as suas ações e de satisfazê-lo.

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Mas o que de fato me fez pensar no livro como uma peça do discurso feminista? É simples, em primeiro momento, poderia se dizer o contrario, pois no cenário sado masoquista que se insere do inicio ao fim da trama, a mocinha era submetida a humilhações e a uma espécie de submissão moral por parte do “dominador” por sua livre e espontânea vontade, o que faria qualquer ativista feminista arrancar os cabelos, mas a verdade é que o feminismo não parece está muito preocupado com isso, pois tudo é válido na busca pela liberdade do prazer. O que realmente faz parte da agenda de reinvindicações feministas é justamente o rompimento com o que é natural, a mulher tem o direito de ser dona do seu próprio corpo como o homem, de poder se relacionar com uma ou mais pessoas, uma ou mais vezes que quiser e não ter que se preocupar com uma gravidez, que para esse grupo, seria um empecilho em sua ascensão social e profissional.



OS TONS DO FEMINISMO: O MAIOR INIMIGO DA FEMINILIDADE 

 

Nos Estados Unidos, mulheres iradas com faixas e cartazes nas mãos saíam pelas ruas gritando “Mantenha o seu rosário longe do meu ovário!”. Elas gritavam pelo direito de viver como prostituas sem ter que se preocupar em ter filhos, e se caso viessem a ter um por descuido, queriam poder abortá-las sem ser incomodados pelas leis da Igreja ou dos homens que defende a vida desde o inicio de sua concepção. Por que a mulher tem tanta predisposição genética para a maternidade? Teria então errado o criador na hora de fazê-la?  Ou seria as nossas mentes inclinadas ao pecado e ao egoísmo de querer ser melhores que Deus? A Igreja propõe que a experiência sexual na vida do homem e da mulher deve ter um caráter duplo, ou seja, “unitivo-procriativo”. O sexo deve ser uma fonte de aconchego e de encontro entre os casais, ao mesmo tempo em que esses devem está aberto aos filhos que porventura vierem, dessa forma, a sexualidade deve ser vivida dentro de uma dimensão de responsabilidade e estrutura de família preservada pela união matrimonial. Esses grupos acusam a Igreja de ser retrograda, ultrapassada e machista, mas a Igreja nunca admitiu a hipótese de superioridade de gênero entre homem e mulher, ao contrário, os convida a viver em sintonia respeitando uns aos outros a partir dos limites impostos pela própria natureza.

Segundo o teólogo, padre Paulo Ricardo de Azevedo em uma de suas aulas, o feminismo se reverte de uma necessária busca por direitos civis a partir de um deturbado conceito de igualdade de gêneros, mas que na verdade trata-se de uma terrível arma na guerra cultural da nova ética moderna contra os princípios do cristianismo. Porem nessa guerra a mulher sai prejudicada pelo próprio movimento que a representa. No contexto feminista, a mulher que vale é a mulher que mais se parece com o homem, a mulher que “transa” com vários homens, a mulher que não é tão delicada e meiga, a mulher que disputa cara a cara os melhores cargos nas empresas e na sociedade e a mulher que não engravida.

Não me entendam como um indiferente aos direitos e as necessidades de conquistas das mulheres, ainda há muita injustiça por parte do homem por se achar melhor e mais importante que a mulher, mas vejo que nesse contexto está muito mais enraizado uma espécie de rebelião ao proposto pelo criador do que reivindicações de direitos negados à elas. Definitivamente a mulher que vai atrás dos seus direitos, que busca viver sintonia com o sexo oposto, que compreende o seu importante papel na vida e na sociedade faz muito mais por ela mesmo que o feminismo tenta fazer. A mulher é bela por se parecer mulher e por ser mulher, qualquer proposta que fuja disso é deformação de sua verdadeira imagem.
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