domingo, 21 de abril de 2013

SE CALAREM A VOZ DOS PROFETAS, OS FELICIANO’S, MALAFAIA’S E BOLSONÁRO’S FALARÃO!


    É claro que se trata de uma paráfrase de um dos versículos dos evangelhos canônicos, minha intensão não é abranger a opinião no campo religioso, que parece não ter muito prestígio acadêmico, mas a citação que faço está dentro da analise do discurso, essa ferramenta linguistica que tanto nos ajuda a compreender os coteúdos dos ditos, dos não ditos e dos préditos. Essa sentença foi dada por Jesus, num contexto em que literalmente tentavam calar o cristianismo ainda em seu estado embrionário, ou seja, nos três primeiros anos de ministério de Jesus. A estratégia abortiva de Herodes tinha dado o seu mais importante passo, haviam decapitado João Batista o percussor dessa “nova” religião e tramavam planos para emboscar e crucificar o seu idealizador, Jesus Cristo. Então o Mestre proferiu em alto e bom tom: “Se calarem a voz dos profetas as pedras falarão!”.

    Se observarmos o contexto bíblico deste versículo perceberemos que Jesus não condenava as pedras por falar, e ao que me consta, nem mesmo condenava o conteúdo de sua fala. A frase foi direcionada em forma de ameaça aos opositores dizendo que a verdade nunca se calaria, mesmo que tivesse de usar artifícios extra-ordinários, ou seja, na hipótese de não haver oficialmente quem fale, as pedras exerceriam esse divino ofício. Porém se partirmos para uma interpretação mais pastoral da sentença, veremos que a frase é muito mais uma exortação aos profetas que se calam do que uma ameaça aos silenciadores. Pastoralmente o Cristo quer que o seu discípulo jamais se cale, evitando que as pedras abram a boca, e como dizia um amigo, não deve ser agradável ouvir a elaboração de uma prosopopeia de robustas pedras.
Tendo em vista essa exegese bíblica apartir da análise do discurso, no contexto atual estamos presenciando um terrível confronto social entre aqueles que querem elaborar projetos de leis e discursos que na interpretação do cristianismo, ferem a dignidade da família e vai de encontro a uma deterioração camuflada do projeto de Deus a favor da vida humana segundo as escrituras. Anexo a esse embate, assistimos uma “bancada” expoente se posicionar contra essa artimanha politica, dentre eles encontram-se os citados evangélicos, Pr. Marco Feliciano, Pr. Silas Malafáia e Jairo Bolsonaro.

    Vale lembrar que esses homens defendem um conceito que a Igreja católica ultrapassa dois milênios defendendo e se posicionando, e o seu discurso têm ganhado uma proporção tão grande na mídia que até parece que são só eles "os evangélicos" que são contra. O que coloco em questão não é o conteúdo de suas defesas, como foi visto acima, Jesus não condenou as pedras por falar e nem tão pouco o conteúdo do seu discurso, até porque, não se ouve nenhum deles dizendo que o homossexual não tem os seus direitos como qualquer outro, direitos de defesa, de saúde, direito de compor renda com o parceiro e etc, isso seria condenado, o que se vê são questionamentos quanto ao conteúdo do projeto de lei, que em alguns aspectos evidencia um grupo de pessoas, e fere os direitos já estabelecidos de outros.
O que quero evidenciar é que essas vozes independentemente, não podem ser considerádas as vozes oficiais de uma comunidade que tem mais de dois mil anos. Enquanto os católicos estão calados, esses discursos estão sendo elaborados por uma instituição que apesar de não ter competência histórica se deixam entender dessa forma, e se auto declaram como a “voz do cristianismo”.

    Acredito que quem deveria se posicionar com mais veemência e menos risco de más interpretações e expressões pré-concebidas quanto a essas questões tão necessárias ao desenvolvimento humano é a Igreja Católica Romana, que têm dois mil anos de história e uma bibliotéca com centenas de milháres de autores que discorreram sobre diversos assuntos dentro do comportamento humano em todos esses anos. Esses números lhe daria competência histórica suficiente para elaborar um discurso mais pautado na experiência adquirida ao longo dos anos do que na superficialidade teórica como tem sido feito. Não quero julgar que tudo que está sendo dito por essas vozes esteja errado ou esteja certo, mas também não posso negar que há erros graves em sua colocação, em sua pedagogia e na estrutura discursória a qual essa defesa está sendo veiculada.

    Caro leitor, termino dizendo com toda propriedade que a Igreja tem experiência de sobra, e com certeza já defrontou com inúmeras situações em que precisou de um posicionamento firme e adequado e foi eloquente em seu discurso podendo assim contribuir para o melhor e mais saudável desenvolvimento humano. Vejo que o silencio dos católicos enquanto expressão laical é devido ao medo de ser tido como retrógrada ou ultrapassado, e esse texto quer encorajá-lo a se posicionar com destemor e a ser profeta em meio a tantas tentativas de imposição de projetos imediatistas e ante igreja deste sistema político, nosso atual Papa Francisco tem se valido de sua incrível aceitação popular para apresentar essa verdade da Igreja e tem nos representado muito bem, porém, é importante que também nós os leigos nos esforcemos neste sentido de abranger para além da hierarquia a proposta de reafirmação do casamento natural e na defesa “pró-vida” segundo o evangelho.


Abraço a todos!

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