segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O fenômeno das redes sociais e a ausência da filosofia.


Sobre o mundo moderno das tecnologias, podemos dizer sem muito receio que nunca se teve tanta velocidade na informação. É possível, hoje, que um fato ocorra do outro lado do mundo e em fração de minutos esteja divulgado e comentado em quase todo o mundo, ou pelo menos nas principais e maiores metrópoles do planeta. Deve-se isso ao avanço da tecnologia e a popularização da internet. As redes sociais paulatinamente estão substituindo os meios oficiais de divulgação da noticia, tanto é verdade que é normal se vê os grandes jornais, quando, dando conta de um fato, recorrem à um vídeo de internet, ou a um comentário de perfil postado em algum site de relacionamento.
Esse fato tem levantado a preocupação de vários setores da sociedade, pois, com toda essa velocidade e praticidade, as pessoas estão cada vez mais gastando tempo diante do computador, tempo esse que a pouco mais de dez anos, eram utilizados em lazeres, esportes, na leitura de um bom livro ou na partilha fraterna de um bom bate-papo ao pé da taipa do fogão. O jovem internauta, no silencio de seu quarto compartilha o barulho do mundo e com o mundo.  O individuo está preso ao seu quarto e ao seu computador horas e horas, está solitário, mas não sozinho. Até que ponto esse acesso precoce e tão fácil ao mundo é benéfico para o homem, quanto ser individual e pensante?
Já dizia o grande o dramaturgo Nelson Rodrigues, que todo homem para ser um bom pensador tem que ser um bom solitário. A solidão na concepção filosófica precede à tristeza ou depressão que é própria dos que preferem se isolar, ao contrario disso, a solidão para os místicos ou filósofos é o tempo de se pensar em si próprio e no seu “eu” interior, de rever conceitos e pensar em sua própria existência: Para quê vivo? Onde quero chegar? Quem sou eu? Esses questionamentos fazem muito bem para a alma, e drasticamente pouco se vê no cotidiano dessa nova juventude, a geração-Y, que nunca tem tempo pra pensar, apesar de está o tempo todo “acessando”.
Numa aula de filosofia na escola Diaconal, o professor nos falava sobre René Descartes, o pai da Filosofia moderna, que pra tentar se recuperar de uma terrível pneumonia, essa que anos depois o levaria a óbito, se refugiou para a cidade de París ficando por um período em descanso por volta de 1640. Foi o período de menor produção de sua extensa biografia. Ele não suportou o torpor de ficar parado sem escrever. Contava-nos o professor que Descartes em uma de suas declarações disse: “París só serve para nos distrair”. Para o filosofo a cidade era um ícone do ilusório e da fantasia que o impedia de pensar. Fiquei pensando em nossa “Paris virtual”, o que diria Descartes sobre os Facebook’s e twitter’s? Essa rede que nos distrai e nos rouba o tempo? Já dizia os santos monges que distração é o maior inimigo da reflexão. A meu ver os conteúdos que são geralmente apresentados, são fáceis acessos à reflexão porem, sem a preocupação de causar a reflexão, criando assim uma sociedade que toma decisões sem pensar e sem analisar conseqüências ou coisa parecida.
Partindo desse pressuposto, eu me pergunto: Onde está a filosofia? Quem poderá ser capaz de, apesar das intempéries, pensar no motivo e razão de sua própria existência? Em uma de suas canções o maior poeta de nossa nação, Cazusa, alertava sobre a ausência da poesia e apontava como causa o avanço e domínio da burguesia “A burguesia fede, a burguesia quer ficar rica, enquanto houver burguesia não vai haver poesia”, se a burguesia moderna quer fragilizar o ato de pensar, sua principal ferramenta é a rede social que por sua vez nos distrai com pensamentos fúteis. Somos obrigados à sentenciar como o poeta, que enquanto houver rede social, mais anti-social seremos, e inevitavelmente, quanto maior e mais fácil o acesso à pensamentos alheios e virtuais, menos teremos a capacidade de exercer o pensar, sobretudo o pensar filosófico que produz transformação interior e social. Pensemos nisso, enquanto não nos tornamos um amontoado de Zumbis-fantoches de outros que determinam o que pensar, em quê pensar, como pensar e até quando pensar.
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