sexta-feira, 28 de outubro de 2011

sobre o livro O Amor que não se cansa

Prosa poética

A VISINHA DE FRENTE


Mau o dia havia amanhecido e eu já podia ouvir a bagunçada dos meninos. E como eram muitos! Mais ou menos uns oito.

Brigas de irmãos? Era constante... dificuldades? Só se for muitas.

Sinceramente, nunca pensei que algum deles pudesse ser alguém na vida.

Afinal, em uma família pobre, pais semi-analfabetos, o que se podia esperar.

Era uma luta só...

O que Dona Tereza e o Sr. Joaquim faziam, Mal dava para comer... como é que poderia sair algo de bom disso tudo?

Eu me lembro que quando os meninos vinham da escola, já na adolescência, parecia uma cavalaria.

Quando já adolescentes, cismaram de imitar os “Mamonas Assassinas”, aquilo até me dava medo. Era uma gritaria e uma pulação, que “deus me livre”.

Aí que eu reforçava o pensamento “isso não vai prestá.”

Não demorou muito tempo, fiquei sabendo que eles andavam fazendo presepadas e até mexendo com “coisas ruim” eles andavam.

Mas o tempo foi passando e depois de “quebrarem a cara” com o que estavam aprontando, os meninos começaram a mudar de comportamento, começaram a ir à igreja, numa tal de “carismática”, então, parece que as coisas começaram a mudar. Pararam com as brigas, diminuíram as bagunças. As meninas viraram moças bonitas e os meninos tomaram juízo.

Aí eu quase não os via mais. Parece que eles tinham mais coisas pra fazer e estavam com o tempo mais ocupado do que o meu. Foi quando eu comecei a reparar que eles andavam sempre em grupos, sempre alegres, cantando e até fazer orações para as pessoas eles faziam.

Aquilo me deixou todo confuso.

Aí eu pensei. “Gente, se esses meninos, do jeito que eu vi crescer, com todas as chances de não se tornarem ninguém na vida, tiveram essa mudança bonita, a ponto de cantarem, pregarem a palavra de Deus e até de escrever livros, contando as graças de Deus para os outros, então Deus existe mesmo e eu também posso mudar”.

Foi aí que eu encontrei uma carta, que havia sido colocada sobre a minha mesa, provavelmente pelo carteiro.

Era o dono da casa onde eu morava, me avisando que eu seria despejada se eu não pagasse o aluguel dentro das próximas quarenta e oito horas.

Entendi então que de uma forma ou de outra eu teria mesmo que mudar. Isso já não era apenas por minha vontade, mas, pela vontade do dono da casa...

E pela Vontade de Deus.

Vou começar pagando o meu aluguel em dias, senão eu terei é que mudar de casa. E onde vou encontrar uma casa que tenha uma janela como essa que me dá tantos bons exemplos de vida, de humildade, de solidariedade, de amizade, de superação ás adversidades, de amor pelos outros e principalmente de amor pelas coisas de Deus?

Vou pagar não só o aluguel, mas o preço que for para também merecer esse Amor, que transforma a vida e os caminhos das pessoas.

Agora tenho certeza de que Deus nunca se cansou dessa família e principalmente, desse filho poeta, professor e amigo Claudio Silva, que mais uma vez confirma que foi alcançado por esse amor que não se cansa.



Djalma Eugênio

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