quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O BRASIL É O PAÍS DO FUTEBOL E DAS MULHERES BONITAS?

Numa análise patricaótica (sic.)

Outro dia ouvi um amigo dizer que estava indo para outro país tentar ganhar a vida, e em seguida se justificava apontando as mazelas do nosso país, segundo ele o Brasil só serve para o futebol, e para mulheres bonitas, e quem quiser ganhar dinheiro aqui ou se enquadra nesse aspecto ou então tem que ir para Europa. Em seu discurso nada patriota destacava, dando altas risadas, que o povo brasileiro é preguiçoso e só trabalha quando esta em outro país. Segundo o antropólogo Roberto da Mata, a menos que esse indivíduo tenha conhecido todos os outros países do mundo profundamente, suas culturas, costumes e etc e tal, não poderia se apressar em fazer tais julgamentos do seu país, como sendo pior ou melhor que a dos outros, caso contrário, seu discurso será tragicamente superficial. 

Infelizmente esse indivíduo e o seu discurso não são novidades no Brasil, basta olhar nos meios de comunicação, nos programas de entretenimento regado a muitas mulheres semi-nuas, que veremos gritada essa imagem de nossa nação, basta percorrer as periferias do país em tempos de copa do mundo e veremos o contentamento do brasileiro com a nação. Além disso, no Brasil há uma tendência de valorizar tudo o que vem de fora, valoriza se o idioma estrangeiro, os produtos importados e desvalorizamos o que é nosso, como sendo inferior. De igual maneira, historicamente o estrangeirismo está internalizado na alma brasileira, o Brasil parece sofrer os encargos de ter sido colonizado no passado, pois somos vistos lá fora, tanto por estrangeiros quanto por brasileiros como o país do futebol, das mulheres bonitas, da malandragem e dos políticos corruptos, daí criamos e/ou aceitamos tais estereótipos. 

Outro dia o ator Robin Willian disse em entrevista a um programa de TV que o Brasil só ganhou a sede das Olimpíadas por enviar "50 strippers e 1/2 quilo de pó". Uma piada de muito mau gosto, mas nada de ingênuo. O escritor Chico Alencar em seu texto “Só dói quando a gente ri” aborda esse caráter superficial e malicioso da visão estrangeira que se tem do nosso país, e nos faz uma alerta, que nós também temos nossos estereótipos quanto aos estrangeiros e quanto a nós mesmos, mas o Ruim mesmo é quando nós, brasileiros, assumimos essa visão deformada ou limitada e acreditemos que esta verdadeiramente é "a terra do futebol, do carnaval e da preguiça" e por cima damos boas risadas como se a piada fosse boa.

É claro que não podemos ser ingênuos e muito menos omissos, nossa nação e nosso povo têm sim suas mazelas e limitações igual a todas as nações (talvez um pouco pior que algumas nações), não somos o melhor país do mundo, nossa economia não é a melhor, mas também não podemos dizer e nem deixar que digam que somos os piores do mundo. Somos brasileiros, e essa afirmativa deve fazer algum sentido em nossa vida, precisamos conhecer nossa estória e nosso povo, para assim construir e ajudar a construir nossa identidade. O filme Central do Brasil do diretor Walter Salles nos leva a ingressar nessa tragetória de conhecer nosso povo, uma emocionante jornada ao centro do Brasil, do Rio de Janeiro ao sertão da Bahia e Pernambuco. Nessa viagem os personagens Dora e Josué nos mostram as condições de vida de um povo, que viu de longe o crescimento econômico do país nos últimos 20 anos, mas que não chegou até sua classe, porem diante desse sofrimento e precariedade, o filme discorre com singeleza sobre a esperança, e a busca da felicidade, e o “desistir nunca” dos personagens, que caracteriza um povo persistente e lutador, que jamais desiste e deixa de ser um povo alegre, um povo brasileiro. 

Até quando seremos avaliados por olhares de fora, que não conhecem nada de nossa identidade? Até quando, deixaremos que esses conceitos influenciem em nossa opinião de nós mesmo sobre nós? Nesse momento em que estamos sendo vistos no mundo, no ponto de vista político e econômico e através dos nossos esportistas e artistas, devemos cada vez mais construir nossa identidade, questionar nossos limites e valorizar o que temos de melhor, para sabermos quem somos e nos posicionar perante o mundo, pois,como alguém já disse; “O melhor do Brasil é o brasileiro” e isso não podemos perder nunca.
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