terça-feira, 3 de março de 2009

Viuvéz da alma
É quando aprisionamos sentimentos
cultuamos o passado
e cultivamos dores.
Os sentimentos são,
por si só como aves selvagens,
Por maior que seja a violêcia que o prende
Mais se debatem contra as grades.
A viuvéz da alma,
Mais do que perder alguem que lhe foi íntimo
é perder-se a si mesmo
É quando na vida não se encontra mais sentido.
É quando se perde o rumo e o foco
E não se vê a frente.
Nos padrões ortográficos,
Sem o acento, Não faz mais sentido algum ser viúvo.
A lei o torna provisório
até que uma próxima leio substitua.
A viuvéz de corpos é só uma questão de tempo
Pois num dia inesperado haverá o reencontro.
Daí nos resta o doce amargo do esperar
Mas a viuvéz da alma
Destrói e aniquíla
O porto seguro da esperança.
Não há tempo que o supere
Não há vida que o suporte viver
Não há quem mereça tal dor.
A própria alma
desde a concepção do homem
Foi prometida
Por um ser superior,
Que pagou seus dotes
A custa do próprio sangue,
Não aceita divórcio e nunca nos deixará
Até que se consuma o êxtase núpcial,
O que lhe tem por direito.
A viuvéz da alma é a tragédia do corpo.
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