terça-feira, 27 de janeiro de 2009

CONTO LITERÁRIO - O PIPOQUERIO SUICÍDA!

Minha breve homenagem às indefesas vítimas da tão cruel e desgraçada PEDOFILIA!

Ele a conhecera quando ainda guria, comemorava seus quatro anos, foi encanto a primeira vista, num domingo de inverno do mês de julho, quando as folhas das arvores da Praça Santo Antonio caíam ressecadas ao chão. Seus olhos azuis pálpebras enrugadas de parecer cansado, brilharam ao ver a menina que vestia um "macacãozinho" Jeans e nas mãos um pirulito daqueles enormes e dona de um sorriso de estalar vidros. A mãe num primeiro momento achou que o velho a cortejava, pensando ser ela o alvo de seus olhares, ao perceber que era a filha o objeto de sua apreciação se assustou um pouco, mas logo se acostumou, pois sabia convencidamente que a filha era mesmo uma criatura encantadora. A menina olhou com seus olhos lindos e arregalados para o pipoqueiro e num grito de menina moleca disse:

"- Moço dá-me um pacote de pipocas, daqueles bem grandes e coloridos?" Ele arriscando uma aproximação pergunta-lhe:
"- Qual é o nome da menina linda que me pedi pipocas?"

Ela respondeu no mesmo grito revelando seu nome. Não o direi, para não causar uma comoção ainda maior na história, mas posso adiantar que era lindo e combinava com flores.

Dois anos se passaram como relâmpagos das tardes de dezembro, a amizade deles crescia e todos os domingos depois da missa das seis, era religiosamente certo o encontro, em que a mãe levava a bela para comer pipocas e prosear com o velho amigo.

...

Naquele domingo da quaresma o pipoqueiro estava misterioso e não conversara com ninguém de sua casa e na praça a todos olhava com "rabo-de-olhos". Algo o incomodava. Suas pipocas pareciam amargas. Quando um casal de jovens pediu lhe com voz chorosa um saco de pipocas de sal, ao mesmo tempo em que comentavam entre si:

"– Coitada". Dizia um ao outro: "-Todos os domingos eu a via nessa mesma praça comendo pipocas... foi morta cruelmente, e o carrasco parecia um animal, alem de matá-la abusou de sua inocência". O velho pipoqueiro, ao ouvir aquelas palavras que invadiram a alma como um torpedo nas águas de uma praia, assustou e fugiu, dentre os becos da Alvino Olegário. Em seu rosto lágrimas incertas e amargas. Ao povo que a tudo via se perguntavam: 

"- Que louco! O que deu no velho... e como ficam as pipocas?"

Na manhã de segunda o velho fora encontrado suspenso por uma corda que envolvia o pescoço e em uma de suas mãos, uma espécie de "carta-suicida", que dizia em letras garranchadas.

“Dizem que suicida vai direto para o inferno, sem direito a julgamento. Eu o fiz em forma de protesto, quem sabe em posse do motivo pelo qual me levou a tal ato, reflitam um pouco os de alma carrasca e comportamento animal. Talvez assim me valha o céu, e se não valer, mesmo assim ficarei contente, pois saberei que um dia encontrarei inferno o autor da desgraça que não merecia a minha pobre menina e enfim me vingarei...”.
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