quinta-feira, 7 de julho de 2011

A verdadeira estória da Rapunzel

     A releitura do cotidiano.


     Era uma vez, numa daquelas vezes em que tudo era fantasia. Em que os animais conversavam, as plantas se locomoviam e até os insetos tinham sentimentos. Quase sempre esse “era uma vez” é daquela estorias que mexem com a nossa imaginação de criança. Pois então, a nossa não vai ser diferente. Era uma vez uma joaninha... ou melhor, uma linda princesa do reino das joaninhas encantadas, que a três infinitos e insuportáveis anos, estava presa em um pequeno e esquecido castelo, construído por um terrível bruxo malvado que a prendera sem direito a um advogado ou ao resgate.
     A pobre donzela, desde pequena... Bom! Pequena ela ainda é, mas desde sua infância escutava de sua mãe as estórias de princesas e principalmente a da Rapunzel. Naquela sala escura onde era cativa, se lembrava da princesa e do seu enorme cabelo que jogava pela janela para que o príncipe por ele subisse, então logo pensava.
    _Vou fazer o mesmo! Porém em pouco instante se frustrava e desistia, devido a sua baixa estatura, era impossível alcançar a janela.
      Qual será o fim da triste saga da pobre joaninha encantada? Será que ela nunca vai conseguir fugir e com isso ser obrigada a se casar com o terrível bruxo malvado? Ou será que vai aparecer um sapo lhe pedindo um beijinho!
     Bom! Resguardando dos detalhes para não encompridar a nossa estória passamos logo pro que realmente interessa.
     Certo dia, em que a pobre cativa pensava ser mais um dia na sua rotina, aparece subindo as escadas, um belo príncipe. Sem economizar nos adjetivos do herói, ele era um bravo e valente príncipe domador de feras selvagens, terríveis e ardentes dragões mitológicos. Tudo bem que ele não era lá isso tudo, pois à muitos anos havia se aposentado, mas uma coisa é verdade e o tempo não lhe pôde arrancar, era belo como um Deus e tinha um olhar sedutor capaz de quebrar qualquer encanto.
     Abrindo violentamente a porta que estava destrancada, pôs-se no meio da sala, segurou suavemente a mão fria e macia da princesa, puxou seu corpo junto ao dele e a olhou nos olhos, ela enfeitiçada por aquele cárcere e todos aqueles anos longe da sociedade e longe do amor, tentou num impulso escapar daquela incrível atração. O príncipe por sua vez, seguro de si e da missão de libertar a princesa não hesitou em sussurrar em seu ouvido.
     _ Quer dançar comigo? E num instante muito próximo do de repente e do inesperado, ela como que manipulada por um ser superior, magicamente começa a dançar numa harmonia misteriosa e encantadora.
Bom!  Poderia aqui, dar fim a nossa romântica estória, mas se assim o fizesse, você leitor me perguntaria e com razão, “o que aconteceu com o terrível bruxo? Tradicionalmente não deveria ter tido uma avassaladora batalha final entre o vilão malvado e o mocinho bondoso, disputando os dotes da bela princesa?”
     Tudo bem! Vou tentar escrever mais algumas linhas para relatar o que aconteceu antes do “feliz para sempre”.
     O bruxo malvado ao chegar à sala e se deparar com aquela cena, da sua adorada prisioneira, dançando e sorrindo, começou a gritar e se dissolver como uma lesma no sal, vê-la feliz e sorrindo era para ele, pior que o fogo do inferno. Para a princesa aquele dia fora um dia cheio de surpresas e descobertas, apesar de sua pele morena, só naquele dia é que pôde descobrir que em todas as suas inúmeras tentativas de fuga, não seria necessário usar a janela, bastasse que abrisse a porta e descesse pelas escadas. Eles se beijaram num daqueles beijos apaixonados que saem coraçõezinhos dos poros da pele, entraram num Monza branco conversível, foram para casa e naquela noite viveram felizes para sempre...
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