A vida de Clara parecia a placa de memória de um computador com infinitas capacidades de armazenamento em giga bytes. Era religiosamente programada e fiel a esse cronograma. Clara acordava todos os dias no mesmo horário, sem precisar despertador. Às seis da manha, ligava seu rádio à pilha bem baixo para não incomodar o marido. Do rádio se ouvia a voz rouca de um locutor que dizia: - “Hora da Ave Maria!”. Ela colocava as peças de roupa suja na bacia, ligava a torneira, enquanto jogava no bojo do tanque os restos do café de ontem, e colocava a agua pra ferver. O Manuel padeiro gritava: - “Pães frescos!” – Ela imediatamente pegava e os colocava a mesa já cortados e com manteiga. O marido acordava as Sete e Quarenta e Cinco e já encontrava tudo posto à mesa, roupas passadas e uma mulher distante em pensamentos, mas de uma prontidão de invejar as freiras. Quando o marido batia as portas às costas, para ir trabalhar, Clara lavava as roupas, limpava a casa, t...
"Tu es Petrus et super hanc petram edificabo Ecclesiam meam"(Mt. 16, 18)